Profissionais que primam por boas práticas de desenvolvimento, quando argumentam sobre a necessidade de cuidados e prazo adicional para melhorias de acessibilidade, eventualmente barram em gestores com uma visão de negócio retrograda, e justificativas do tipo "cegos não compram". Os mesmos gestores costumam afirmar que é indispensável manter suporte a navegadores anciões, pois na visão deles existem muitas pessoas que ainda utilizam versões antigas do Internet Explorer. Porém, é preciso parar e rever isso, e dar atenção ao que retorna mais dinheiro em vez de ficar preso ao passado.

Microsoft passará a dar suporte de segurança apenas as versões mais atuais do Internet Explorer

A Microsoft anuncia que em 12 de janeiro de 2016 deixará de dar suporte a versões antigas do Internet Explorer (link em inglês). Com isso, ela adota uma abordagem semelhante a de outros desenvolvedores de navegadores, ao facilitar a atualização incremental, sem ficar prometendo, por uma década ou mais, suporte a falhas de segurança de um navegador antigo, e estimular um perfil mais acomodado.

Mais do que isso, a Microsoft já sinaliza que apenas a versão mais atual do Internet Explorer terá atualizações de segurança. Isso significa que, se surgir um Internet Explorer 12, o 11 passaria a deixar de ter suporte. O único problema possível a médio prazo é se a MS deixar de lançar atualizações para o IE e se focar apenas no Edge, que é seu novo navegador, e em algum momento não forçar que os usuários também migrem.

O que muda para os desenvolvedores em geral essa posição da Microsoft?

Isso é um grande avanço. Quando a Microsoft deixa de dar suporte de segurança, a tendência é cair muito mais rápido o uso dos navegadores. Um usuário comum, que não acessa de empresa, já costuma ou usar um navegador diferente do IE, ou o Internet Explorer que vier instalado com seu sistema operacional (que, nesse caso, pode ter atualização forçada). Já os empresariais, a tendência é o departamento de TI se sentir mais pressionado a atualizar o software.

Em 12 de janeiro de 2016, até mesmo o Internet Explorer 10 deixará de ter suporte. Isso era algo que, no final de 2014, seria impensável de ocorrer tão cedo assim. Algo positivo é que, mesmo antes desse aviso da Microsoft, o uso dos IEs já não é muito significativo. Segundo http://caniuse.com/usage-table, hoje, IE8 tem 1.18% de mercado, o IE9 0.91% e o IE10 0.87%. Como essas estatísticas são mundiais, e no Brasil tem como tendência menor uso de IE em relação a outros, e quando há uso, é de versões mais atuais.

Hoje, já em janeiro de 2016, todos os meus clientes de sites brasileiros que tem mais de 100 mil usuários únicos no mês, tem no máximo 2% de acesso vindo de IE10+IE9+IE8, e os sites com menos acesso ficam em torno disso, porém a amostragem é melhor. O Internet Explorer 7 praticamente nem é citado, e quando aparece fica com no máximo 0.1%.

Saiba porque dar suporte a navegadores antigos em detrimento de melhorar acessibilidade é ruim

Em 2015, o número de acessos para sites que não são intranet corporativa, por si só, já são suficientes para contra-argumentar não dar suporte a versões antigas do Internet Explorer. Recomendo que veja o que publiquei em novembro de 2014, o artigo completo "Acessibilidade vs Navegadores Antigos: uma escolha que pode custar caro" no ux.blog. Ele ainda é é plenamente pertinente, para saber porque dar suporte a navegadores antigos em detrimento de melhorar acessibilidade é ruim.

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